segunda-feira, 7 de abril de 2014

ALZHEIMER


Que palavras direi ...

Que te façam tremular feito bandeira ao vento,

Relembrar momentos que deveriam ter sido inesquecíveis.

Como posso te olhar de forma a invocar um passado poderoso

Que nos levou a mudar vidas e a unir destinos?

Poderá minha mão tocar a sua e deliciar teus sentidos,

Arrepiar tua nuca,

Excitar teus desejos.

Minha respiração corresponderá a sua em um abraço
E num instante nos tele portamos para o passado jovem?

Adiantar-nos-ia reviver o que já se foi,

O que foi vivido tão intensamente,

Em forma de amor sensual, desejo de estar perto, sentir o outo?

Ou quem sabe depois de tantas décadas

Basta-nos olhar o outro esquecido do mundo,

Parado no ar feito colibri,

Desnudo de todo conhecimento,

Esquecido de si mesmo...

E pedir, implorar, apenas mais alguns momentos unidos na dor.

(http://poemasencantos.blogspot.com.br)

MÃE, QUERIDA MAMÃE!



    "Estava aqui, tropeçando num monte de palavras, me engasgando com um turbilhão de sentimentos, perdida em meu mundinho de lembranças, saudades e pensando no próximo 2º domingo de maio – o famoso e tradicional (comercial) “dia das mães” quando, de repente, ouço aquele ‘psiu!’!

No limiar da porta, vejo então uma cabecinha toda branca espichando-se para chamar minha atenção e, olha só: aí está você, no agora de hoje vivendo o seu dia – linda, alegre e faceira dentro do meu dia-a-dia! Meu coração se enternece e corro para mais um dos nossos frequentes abraços de todo dia!

Há pouco, uma vaga nostalgia me levava para longe daqui, evocando lembranças, buscando aquela mulher que sempre acompanhou cada passo da minha vida. Mas onde poderia eu encontrá-la senão aqui, neste momento de agora em que a mulher que sou abraça e beija com ternura esta mulher que você continua a ser?!
 
    Não importa se você lembra ou não do meu nome ou do parentesco que existe entre nós! Tudo o que importa é esse sorriso largo que ilumina o seu rosto quando me vê e essa sensação confiante, prazerosa, que podemos partilhar no calor do nosso abraço!

Ah mãe! Quantas experiências de vida, trilhando juntas! Fases boas, fases difíceis, momentos felizes, momentos tristes… Minhas enfermidades – seus cuidados e preocupações. As birras da criança versus a mãe autoritária. As inconsequências adolescentes versus a mãe vigilante! E aquela jovem adulta, empinando o nariz e fugindo das suas críticas decorrentes do inevitável confronto de personalidades e gerações diferentes!? O meu jeito de ser e o seu jeito de ser, ora gerando harmonia, ora gerando atritos.
 
    Esses percalços naturais da caminhada pela vida, aqueles em que as relações se estremecem até mesmo quando nós filhos já somos adultos, não merecem relevância para serem pontuados como entraves para o amor e o carinho que lhe dedicamos. Tudo vivido, tudo passado e tantas novas experiências ainda nos esperando para viver!
 
    E no seu lento caminhar, o vazio da sua memória vai me ensinando mais uma lição: despojar-me das bagagens do passado para sentir, com leveza, as surpresas do agora! Cada dia, um novo dia e cada momento sempre único e irrecuperável – sem passado e sem futuro, só comportando o presente desse agora tão cheio de oportunidades para ser vivido da melhor forma possível!
 
    Creio que o Mal de Alzheimer traz em si essa profunda mensagem: numa mínima fração de segundo cabe toda uma vida e o tempo, com toda a sua carga de lembranças… bem, essa contagem que dele fazemos e o excesso de peso pelas lembranças que carregamos em nossa memória, é apenas um recurso humano para não nos desorientarmos enquanto transitamos no espaço.

Percebo, mãezinha, que a vida nos presenteou com a bênção de ver você e papai envelhecerem juntos trilhando os caminhos do bem viver. Sinto-me especialmente privilegiada pela oportunidade de ter acompanhado meu pai até o momento final e de agora poder continuar contando com a sua companhia. Isto nada tem a ver com obrigação, nem com reparação de sentimentos de culpa ou mesmo com gratidão, mas tem tudo a ver com amor, aprendizado e fortalecimento espiritual!
 
    Repito aqui os versos finais de um poema que escrevi para vocês dois, intitulado ‘Tempo Mestre’: 
 
"...Tempo chegou / e eu envelhecendo…/ Nas rugas do rosto, /
tempo marcando / as trilhas do caminho / que no tempo percorri… /
Abençoado tempo! / flashes de momentos / que contam uma história /
escondida na memória / esquecida do que vivi… /
Tempo pai! / Tempo mãe! / Eis o meu tempo /
chegando de mansinho / trazendo o que se vai /
 e ensinando-me a partir…"
 
    Assim, tudo que hoje sei é que muito mais preciso aprender e que cada fração de segundo traz um leque de oportunidades para descobrir, exercitar e ampliar os limites dessa bagagem indispensável que precisamos ter sempre à mão para seguir com mais leveza a jornada de nossas vidas tais como: paciência, tolerância, aceitação e desapego.
 
    E seguindo a trilha do poema “VIDA” de Mário Quintana, quero aproveitar cada oportunidade desses tempos para ir “jogando fora a casca dourada e inútil das horas” enquanto ainda tenho tempo para dizer olhando em seus olhos que “você é extremamente importante para mim” e o quanto eu te amo! Meu grande beijo para você, minha mãe!
 
    E àqueles que ainda podem beijar suas mães, eu peço: não percam tempo, aproveitem para todo dia beijá-las tanto quanto puderem!!! (Por: Gracinha Medeiros)
  http://historiasdocuidar.blogspot.com.br/

sexta-feira, 4 de abril de 2014

DOSES PEQUENAS DE VELHICE

 
 
Alzheimer, uma luta eterna de lembranças
Já não sei onde fica minha casa. Não me contaram em que século estou desde que esqueci como comer. Não me dizem que estou bonita, as crianças riem de mim. Já não sei mais como cheguei aqui, a estranha no espelho que me saúda não é mais aquela que eu via ontem. 
Não sei onde meu marido foi, só me lembro dele correndo para fora de casa numa tarde chuvosa e não ter mais voltado. Aquelas lembranças antigas voltando à tona, tenho um vislumbre rápido de quando era criança e dava meus joelhos a serem beijados por minha mãe, não sei porque, mas quando me olho no espelho não vejo mais a criança de cabelos compridos que eu era. 
Não sinto mais vontade de fumar, também porque não me compram mais cigarros. Acho que preferem deixar-me jazida nesta cama feito um órgão morto do corpo que é extraído em cirurgia. 
Se morrer dormindo, sorte daqueles que me cuidam. Meu neto ontem perguntou qual era a raiz quadrada de quatro, eu, tão boa em matemática, não soube o que responder. Disse algo sobre cavalos. “Raiz de quatro não são cavalos, vó”, reclamou ele pisando forte. Mas a culpa não é minha. Só não me lembro quem eu sou, ou o que estou fazendo, ou quais eram meus planos. Me esqueceram, e nem eu faço questão de me lembrar.
Jovens, vocês tem sorte.
Não estraguem a juventude de vocês… E… Sobre o que estava falando mesmo? Ah sim. Cavalos. Aqueles que galopam e levam em frente, aqueles que não vêem quem está ao seu lado por conta dos cabrestos, aqueles que não lembram nem o que comeram no jantar. Virei um cavalo; de carne dura, imprópria pra consumo. Um peso, uma carga. E quem sou eu? Já não sei nem mais como me chamo., (Tamires Carvalho)  http://extratrex.tumblr.com/

A VIDA ...

Foto: ઇ‍ઉ Parceiras: Pergaminho Perdido e Digo sem medo ઇ‍ઉ

O LUGAR ESCURO - HELOISA SEIXAS

Livro - Lugar Escuro, O

Esta é a história real da lenta transformação de uma mulher, no caso a mão da escritora Heloísa Seixas, que escreve seu primeiro livro de não-ficção. 


O lugar Escuro é o relato do que a autora viveu, ao acompanhar o cotidiano de sua mãe - atingida pelo Mal de Alzheimer que , aos poucos, passa a sofrer com a modificação completa de sua personalidade, mudando também a vida de todos em volta.   

 A história da degradação de uma mente comprometida, em todas as suas fases, num pesadelo familiar da própria autora.  

Este livro nos conta como começa a doença, o mal de Alzheimer, antigamente era diagnosticada como loucura ou senilidade e caduquice mesmo. Criaram este nome novo pela descoberta de Alzheimer que ficou “mais leve”, sem denotar muito o estigma da loucura.

     O mal de Alzheimer pode decorrer de um processo de sofrimento como a depressão, solidão, isolamento social, desamparo, repressão longa, pode ser hereditária, depois de alguma perda, choque emocional muito grande em que a pessoa vai convivendo mais não supera.

     O livro em questão conta a história de uma senhora que foi perdendo a memória gradativamente, tinha mania repetitivas tais como: se arrumar a noite pensando que ia numa festa; ficava esperando a filha chegar do trabalho para levá-la, a filha tinha que inventar mil desculpas todos os dias para acalmar a mãe, cada dia era uma festa diferente. Depois a mãe começou a ver pessoas mortas e conversava com elas. Parecia ser sintomas de esquizofrenia...

     Muitas vezes a mãe ficava nervosa, outras calma demais, cheia de manias. Seu cérebro habitava a região da loucura. Certa vez assinou 17 revistas diferentes, se perdia na rua, gastava dinheiro ou perdia, fantasiava, ria sem parar, outras chorava, ia percebendo que a memória ia ficando curta e tentava disfarçar. Era uma mulher que sabia cozinhar, bordar, tricotar, receber, se arrumar e de repente a loucura tomou conta sendo preciso acompanhante para dar banho, comida na boca, etc. Desenvolveu medos estranhos, seus músculos foram parando de funcionar, sua vida parando, esqueceu se tudo, não conhecia mais ninguém...transformou-se em uma criança de uns dois anos ou menos...

     É uma trajetória que começa aos poucos e vai tomando conta da pessoa, parece que uma entidade vai tomando conta de tudo, do cérebro, minando a inteligência, o pensar. A pessoa começa lembrando coisas que marcaram, que fizeram sofrer, se torna metodicamente repetitiva, desagradável e pedante. É um sofrimento enorme para o cuidador e toda família, pois não é fácil viver com uma pessoa “louca”, com personalidade antagônica, misteriosa e escura...

     Escrevi sobre esta resenha pois dizem que nós escritores e poetas estamos na “fronteira da loucura”. Deus queira que não, mas temos sentimentos muito aflorados, nada nos escapa, somos seres muito sensíveis, ficamos tristes ou alegres demais. Nossas emoções são diferentes, sofremos por qualquer coisa, choramos, somos felizes ou infelizes ao extremo...

     Finalizando, aconselho a todos a se cuidarem, não se reprimir mesmo, soltar o que está dentro de si, pois isto pode nos ajudar sim, na saúde psicológica e física evitando somatizações. Cuidar e tratar de depressões químicas ou psicológicas ou seja, endógenas e exógenas. No meu caso vou levando a vida aproveitando cada minuto, pois sofro de depressão química há muitos anos...se disser que não tenho medo também estaria sendo falsa pois também sou humana e é preciso sempre encarar a realidade para ter qualidade de vida...

     A depressão severa pode levar ao suicídio, ao isolamento, a fobias sociais, síndrome do pânico e muito mais. A informação nunca é demais pois em nossas famílias pode ter casos...A depressão deve ser tratada e não ignorada. atualmente sabe-se que remédios para hipertensão e diabetes, podem causar a depressão química (biológica). Infelizmente muitas pessoas ainda não acreditam em depressão, falam até que é adquirida, porém a vida pode surpreender as pessoas que muito julgam, a roda da vida é implacável...Já ouvi alguém falar que depressão é falta de Deus, mas se muitos quando se desesperam vão á igreja procurar alivio, não podem também estar passando por depressão...eta resistência e negação humana...

OBS: Esta resenha está mais parecendo um artigo, pois misturei o livro e informações...mas como ler e não informar também sobre um tema que ninguém gosta de tocar, por medo até inconsciente...é muito penoso e dolorido...É MUITO IMPORTANTE EXERCITAR O CÉREBRO, AJUDA OS NEURÔNIOS A VIVER SEMPRE EM FORMA E SAÚDE...E DEIXA A VIDA NOS LEVAR...VIVER CADA SEGUNDO É IMPORTANTE.
(Norma Aparecida Silveira Moraes)
http://www.recantodasletras.com.br/

SONHOS - CAETANO VELOSO



Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim completamente seu

Vi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não há caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um dia

Quando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho mais calma, mais alegria
No meu jeito de me dar

Quando a canção se fez mais clara e mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoa

Mas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz

ALMAS QUE SE ENCONTRAM

Dizem que para o amor chegar não há dia, não há hora, nem momento marcado para acontecer. Ele vem de repente e se instala no mais sensível dos nossos órgãos, o coração.

Começo a acreditar que sim. Mas percebo também que pelo fato deste momento não ser determinado pelas pessoas, quando chega, quase sempre os sintomas são arrebatadores. Vira tudo às avessas e a bagunça feliz se faz instalada. Quando duas almas se encontram o que realça primeiro não é a aparência fisica, mas a semelhança d'almas. Elas se compreendem e sentem falta uma da outra.

Se entristecem por não terem se encontrado antes, afinal tudo poderia ser tão diferente. No entanto sabem que o caminho é este e que não haverá retorno para as suas pretensões. É como se elas falassem além das palavras, entendessem a tristeza do outro, a alegria, o desejo, mesmo estando em lugares diferentes. Quando almas afins se entrelaçam passam a sentir saudade uma da outra num processo contínuo de reaproximação até a consumação.

Almas que se encontram podem sofrer bastante também, pois muitas vezes tais encontros acontecem em momentos onde não mais podem extravasar toda a plenitude do amor que carregam, toda a alegria de amar e querer compartilhar a vida com o outro, toda a emoção contida à espera do encontro fatal.

Desejam coisas que se tornam quase impossíveis, mas que são tão simples de viver. Como ver o pôr-do-sol, caminhar por uma estrada com lindas árvores, ver a noite chegar, ir ao cinema e comer pipocas, rir e brincar, brigar às vezes, mas fazer as pazes com um jeitinho muito especial.

Amar e amar, muitas vezes sabendo que logo depois poderão estar juntas de novo sem que a despedida se faça presente. Porém muitas vezes elas se encontram em um tempo e em um espaço diferentes do que suas realidades possam permitir.

Mas depois que se encontram ficam marcadas, tatuadas e ainda que nunca venham a caminhar para sempre juntas, elas jamais conseguirão se separar. E o mais importante: terão de se encontrar em algum lugar.

Almas que se encontram jamais se sentirão sozinhas porquanto entenderão, por si só, a infinita necessidade que têm uma da outra para toda a eternidade...
(Por Edson Pessel)
http://www.amordealmas.com/