quarta-feira, 11 de junho de 2014

A VOVÓ VIROU BEBÊ


A vovô virou bebê,  da autora Renata Paiva, conta a história de Sofia, de sete anos, que começa a perceber um comportamento estranho de sua vó Dorinha. Ela abotoa a blusa errado, esquece das coisas que estava fazendo e começa a precisar até de uma babá. Logo, a menina descobre que a vó tem Alzheimer.

Sofia, logo, percebe que há algo errado acontecendo e fica cheia de medos e dúvidas. Com a ajuda de sua mãe, Sofia   vai descobrir como cuidar de vovó Dorinha. 

A VOVÓ VIROU BEBÊ -um  livro cheio de amor e carinho, capaz de emocionar
crianças e adultos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

DEPOIS DA TEMPESTADE


Depois das grandes tempestades em nossas vidas, às vezes, ao invés da bonança esperada, costumamos fechar a alma para balanço. E por mais que digamos estar disponíveis ao diálogo, bem no fundo do nosso coração colocamos uma porta. E esta porta fica tão trancada, que se nós mesmos não a abrirmos, tornar-se-á quase que intransponível. 

É como se nossa casa tivesse sido saqueada e o medo de que fosse arrombada de novo não nos deixasse viver sossegados. Visitantes cadastrados até poderiam chegar ao jardim ...mas passar da soleira , quem disse? E ficamos tantas vezes nos perguntando, o porque de ninguém se aproximar muito de nós se pensamos, numa atitude de bloqueio à verdade, que estamos dando espaço para que todos nos visitem. 

Fingimos não enxergar o letreiro luminoso de "passagem proibida" ou os cadeados enormes que colocamos nos portões e nos muros que erguemos ao redor de nós, porque é duro admitir que temos medo de mais experiências depois que uma, duas, três ou mil delas não deram certo. Mas se só as pessoas sensíveis enxergam esse bloqueio e elas são cada vez em número menor, as não tão persistentes se afastam, com medo de que soltemos os cães bravos em cima delas e as ponhamos para correr.

Assim acabamos, por comodismo, ficando com as pessoas menos perigosas; com aquelas com quem sabemos que nunca chegaremos a ter envolvimento maior, até porque sua percepção não é tão aguçada para penetrar no nosso interior. Ficamos com aquelas com quem temos menos afinidade e pouco cumplicidade, principalmente aquela que vem do fundo da alma, porque não queremos que ninguém invada a fortaleza inexpugnável dos nossos segredos, onde guardamos as mágoas, os ódios não passados a limpo e os amores mal sucedidos. 

Não queremos saber de quem nos leia pensamentos e não pretendemos nos prender a nada, embora digamos sempre o contrário e saibamos que a falta das amarras num porto onde poderemos atracar quando estamos à deriva, pode constituir uma bela teoria de liberdade, mas não nos gratifica, pois o ser humano não nasceu para ficar só.

Nós, hoje, mal ou bem podemos escolher nossos amores e amigos. E que possamos escolher os melhores, e não os mais cômodos. E que possamos, também, ter alguns inimigos e, entre os nossos conhecidos, pessoas incompatíveis conosco, porque são eles que nos ajudam a superar os nossos limites e nos botam para frente, nem que seja para que lhes mostremos do que e o quanto somos capazes. 

Precisamos ter histórias para contar, sejam elas com finais tristes ou felizes. Precisamos passar por experiências que nem sempre são gratificantes pois uma existência passada em brancas nuvens, é uma existência sem frutos.

Um dia, talvez, venhamos a entender melhor os mistérios da vida e que, para chegarmos a um determinado ponto, muitas vezes teremos que passar por vários obstáculos. Talvez entendamos que precisamos nos purificar sofrendo várias provações até conseguir nossos objetivos e receber alguma recompensa. 

Algumas doutrinas religiosas e filosóficas tentam explicar porque algumas pessoas sofrem e outras são poupadas e porque alguns de nós encontram suas metades e outros passem a vida inteira a procurá-las. Mas são explicações que talvez nós leigos, não consigamos facilmente entender. 

A única coisa que podemos arriscar , é que nada acontece por acaso ( ou será que acontece?). Talvez, quando sofremos, estejamos passando por um processo de purificação que nunca será entendido ou aceito por nós enquanto estivermos vivendo a experiência. Talvez, quando procuramos alguém ou alguma coisa, estejamos nos informando; talvez quando encontramos tanta gente incompatível conosco é porque, de alguma maneira, somos ou fomos as pessoas determinadas a surgir em suas vidas, seja para suportá-la, ajudá-las ou para que, através delas, aprendamos alguma lição importante: da serenidade à perseverança, da paciência à fé.

Mas, por mais que apanhemos, que nos escondamos para fugirmos da vida, de nós mesmos, dos machucados e rejeições, tudo passa. O desespero nunca foi solução para nada pois, afinal, não há mal que sempre dure e nem bem que nunca acabe. 

A vida sempre seguirá dando voltas. Tomara que saibamos aproveitar as ascensões para levantar quem estiver próximo de nós e as quedas para aprendermos a ser humildes.
http://leilareis.blogspot.com.br/

O MUNDO DA MENTIRA


Há realidades difíceis de suportar. Há situações tão dolorosas e tão irreais, embora cruelmente reais, que certas pessoas preferem negá-las, como se com isso pudessem apagar sua existência. E para fugir desses punhais que rasgam a alma com tanta violência é que muitos preferem se refugiar num mundo invisível, sob uma redoma de proteção que as impedem de ver de perto e enfrentar o que tanto faz mal.

Essas pessoas, ao querer libertar-se de um peso, tornam-se escravas da própria dor. Sem justificativas, justificam-se na recusa da cura, que é o encarar a realidade e vê-la de maneira nova e diferente. 

Essas pessoas, julgadas doentes, loucas e insanas são apenas uma pequena porcentagem de um mundo onde negar a realidade é a coisa mais banal que existe. Viver no mundo da mentira não é apenas ter um comportamento exclusivo dos que julgamos loucos. 

Vive na mentira quem não aceita o fim de qualquer situação: amores que se desgastaram, filhos que cresceram, uma doença que chegou sem avisar, alguém que foi embora, escolhas que não aprovamos e todas essas pequeninas coisas do dia-a-dia que, pequenas, fazem parte da nossa vida.

Chorar e ficar calado num canto não muda nada do que vivemos, a não ser nos deixar à parte da vida que continua a correr do lado de fora. Fazer-se de cego e surdo não modifica a realidade do que não podemos controlar, nem o que os outros pensam e sentem.

Poderemos evitar os espelhos por algum tempo, mas não os evitaremos a vida toda. 
Melhor que ignorar a realidade que nos machuca é pegar o que sobra dela e construir um novo mundo ou uma nova maneira de viver. 

Se a chuva nos pega de surpresa, que então nos molhe completamente, que o sol nos seque, que o frio não nos impeça de sair de casa, que o calor não nos impeça de dormir, que a dor doa e parta e que a vida seja inteira, completa e real!
(Letícia Thompson)

quarta-feira, 4 de junho de 2014

COLHENDO FLORES ENTRE ESPINHOS

Colhendo flores entre espinhos Colhendo flores entre espinhos

A felicidade, a eterna juventude e a imortalidade estão entre os sonhos mais acalentados pelo ser humano. A procura dos fatores genéticos que possam justificar um envelhecimento bem-sucedido é uma das investigações do nosso tempo, mas tem-se revelado inconclusiva.

Para um filósofo ou um teólogo a felicidade não deve ser confundida com momentos fugazes nem com meros sentimentos, só pode ser alcançada por quem está disposto a assumir certos pressupostos. Obviamente que para um cristão não há felicidade sem encontrar Deus, ele é a verdadeira fonte de juventude, é ele que desperta as energias adormecidas, sem prejuízo das esperanças revolucionárias que pomos na biogenética e na biotecnologia.

Os autores escrevem sem dar margem a equívocos: “A arte de ser feliz e a arte de manter vivo o vigor da juventude estão intimamente ligadas à arte de cultivar cuidadosamente as sementes da imortalidade”.

É bom ter sempre em conta que o estudo do envelhecimento como processo existencial é relativamente recente, só nas últimas décadas se começaram a dar passos gigantes na gerontologia (voltada para o bem-estar integral das pessoas de idade) e da geriatria (mais preocupada com as doenças. Hoje a gerontologia fala em velhice inicial e em velhice avançada em terceira e quarta idades.

Graças à biogenética, os seres deixaram de ser identificados apenas pelas aparências mas pelo que são na sua interioridade. Mais do que um somatório de funções orgânicas bem ou mal organizadas, o grande desafio de um sénior é saber administrar perdas e ganhos, estamos em permanente evolução e interação com o meio circundante.

Há mesmo quem diga que não há continuidade dos processos existenciais mas sim sucessivas mudanças. Quem busca novos ganhos mantém-se jovem, rompe menos penosamente com rotinas, recupera mais facilmente de eventuais fases depressivas. A chave do sucesso poderá passar por saber cuidar-se e ser cuidado.

No envelhecimento bem sucedido a pessoa deve estar bem relacionada consigo e saber defrontar o diferente – o envelhecimento é um processo contínuo de transformação do humano como ser único em seu tempo vivido, e esta consideração vale para a relação familiar, para quem se educa para envelhecer, para quem sabe cultivar os seus dons e não ter medo de se olhar ao espelho.

Noutra dimensão, os autores falam do corpo e da corporeidade. Há diferentes maneiras de ver o corpo (higiene, moral, arte, beleza…), a linguagem corporal é um verdadeiro livro aberto, no nosso tempo andamos na busca do corpo perfeito; a corporeidade é uma nova maneira de compreender os seres humanos, de analisar o seu lugar na família, na sociedade, nas suas ligações com o transcendente. Nós refletimos no espelho social mas o envelhecimento também faz parte de um processo existencial, é uma caminhada. Porque envelhecer significa mudar sem perder a identidade, conhecer o tempo e caminhar com ele, estar no tempo e também contra o tempo, no fundo chegar ao alto da montanha, saber que se subiu degrau a degrau.

A condição de bem viver passar por não ter medo de morrer, em aceitar que a vida se constitui numa aventura, que o ser humano é grande e pequeno; grande, quando se aceita alegremente ser gestor de si mesmo e participante do que se passa nos outros seres à sua volta; pequeno, aceitando, com deslumbramento, contemplar o céu e respeitar a obra do criador, exaltando-a como a obra-prima absoluta. 

No fundo, o envelhecimento com qualidade é uma associação bem doseada entre o progresso científico e a resposta pessoal à alegria de viver.
Extraído de: http://www.oribatejo.pt/2011/05/colhendo-flores-entre-espinhos/

domingo, 1 de junho de 2014

ALZHEIMER - O MAL DO SÉCULO

Meu pai está com Alzheimer. Logo ele que durante toda vida, se dizia "o Infalível". Logo ele, que um dia ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: externocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas para mim, basta saber que ele esquece o meu nome,  mal anda, toma os líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóides comuns nas demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranqüilo diante do "eu não sei ao certo" dos médicos, prefiro isso ao "estou absolutamente certo de que...", frase que me dá arrepios.

Há trinta anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita. Hoje, precisaria ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos relatados por amigos e clientes em suas famílias. O que está acontecendo? Estamos diante de um surto de Alzheimer? Finalmente nossos hábitos de vida "moderna" estão enviando a conta? O que os pesquisadores sabem de verdade sobre a doença? Qual é o lado oculto dessa manifestação tão dolorosa?

Esse estudo citado no livro A Saúde do Cérebro, Dr. Robert Goldman, Ed. Campus, foi feito pelo Dr. Snowdon,  da Universidade de Kentucky. Eles estudaram 700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade, eles leram e analisaram as redações autobiográficas, que cada freira era obrigada a escrever logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas tinham em média 20 anos. Essas freiras (um dos grupos mais homogêneos possíveis, o que reduz muito as variáveis que deveriam ser controladas), foram examinadas regularmente e seus cérebros investigados após sua morte. O que se constatou foi surpreendente. As que melhor se saíram, nos testes cognitivos, e nas redações, em termos de clareza de raciocínio, objetividade, vocabulário,capacidade de expressar suas idéias; mesmo apresentando os acidentes neurológicos típicos do Alzheimer (placas e massas fibrosas de tecido morto) não desenvolveram a demência característica da doença. Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as outras freiras com Alzheimer diagnosticado, (e que tiveram baixos escores em testes cognitivos e na redação), mas não os sintomas clássicos, como os do meu pai.

A minha interpretação de tudo isso: Não temos muito como controlar todos os fatores, de risco apontados como vilões, alimentação, pressão alta, contaminação ambiental, stress, e a genética (por enquanto).  Mas podemos colocar o nosso cérebro para trabalhar. Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, cirando novos circuitos neurais, que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida"bandida". Meu conselho: não sejam infalíveis como o meu pobre pai, não cheguem ao topo nunca, pois dali, só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Não existem estudos, provando que o Alzheimer é a moléstia preferida dos arrogantes,  autoritários e auto-suficientes, mas a minha experiência mostra que pode haver alguma coisa nesse mato.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades. Sete (7) de cada 10 doentes, nunca ligaram para essas "bobagens" e viveram vidas medíocres e infelizes. (muitos nem mesmo tinham consciência disso).

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum.. preocupante).
Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade.

Parodiando Maiakovski  ("melhor morrer de vodka do que de tédio"), digo: melhor morrer lutando o bom combate, que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer. Vamos nos cuidar...
http://www.sandraregina.med.br/