domingo, 23 de março de 2014

ALZHEIMER

Olá
Bom dia, boa tarde, boa noite...

Filhotes de passarinhos aceitam mãos que os amparem nos primeiros voos tais quais nos nossos queridos velhinhos ao final de suas jornadas.
O Outubro de Alzirinha Margarida trouxe muitas mudanças e com elas novas adaptações, novas situações(algumas surpresas inesperadas).
Os cuidados exigem muito esforço físico, emocional e por este motivo se faz necessário o equilíbrio entre decisões delicadas.
Neste acompanhamento aprendi a organizar, compreender, aceitar, agir, porém...planejar por inteiro independe da nossa "vontade", mas sim das necessidades de minha mãe, também as minhas enquanto responsável-cuidadora e daqueles próximos aos atendimentos.
O amor, carinho é de vital importância...longo aprendizado.
A questão é que as vidas não andam numa linha reta, as ideias precisam constantemente de revisão, afinal...não "lidamos com um objeto" e sim um "ser humano idoso(a) acolhido e apegado a determinadas pessoas" sejam estas familiares ou não.
Um esforço gigante para o meu coração através de escolha feita no presente momento.
O Alzheimer é como um trem fantasma ou uma montanha russa onde os retratos, paisagens passam, acontecem em segundos sem aviso prévio.
Não é mecânico, não é frio (nem nunca será) a lida com um paciente portador da doença.
Jamais...
("Universo de Memórias-Marília Bahr")
http://forum.antinovaordemmundial.com/T

DESABAFO

Só quem convive diretamente com esta doença e assiste a transformação daqueles que nos são queridos é que consegue ter a percepção do quão devastadora e destruidora ela é. Sou enfermeira há mais de 32 anos. Iniciei muito cedo e terei cometido os meus erros como todo e qualquer profissional no início de carreira. No entanto, talvez por característica da minha personalidade, educação e exemplo de meus pais, sempre tive um grande respeito pelo idoso e pelo doente com perturbações mentais.


Quis Deus que também eu, também nós, família, viéssemos a sentir dentro de nós a impotência de ver a nossa mãe a perder-se lentamente e a fixar-se num mundo tão... longínquo que nos faz chorar mesmo que o não queiramos.

A doença de minha mãe começou a aparecer lentamente. Tão lentamente que não tivemos nunca a noção de que fosse uma doença e associamos as suas alterações de comportamento com crises próprias de uma senhora a entrar em menopausa. Não se falava em Alzheimer há 30 anos. Falava-se em demência do idoso, mas sobre Alzheimer pouco se ouvia.

E os anos foram passando. Se tivesse tido acompanhamento mais cedo, eventualmente teríamos conseguido travar um pouco a sua evolução. Mas assim não aconteceu.

Minha mãe sempre foi independente. Tinha uma cultura geral enorme e uma capacidade de observação fora do comum. Tinha e tem uma voz linda. Para ela a música era a vida. Tudo o que fazia tinha a música por detrás. Deu aulas de Educação Musical ao antigo ciclo preparatório. Nessa altura iniciou nas suas aulas uma nova forma de expressão corporal, "expressão dramática". Julgo que terá sido uma das pioneiras a utilizar esta arte com alunos com problemas comportamentais. Os alunos tinham paixão por ela, pois ela fazia das aulas momentos de libertação em que a música e a expressão corporal trabalhavam em uníssono. "Dançar ao som da música", permitindo-lhes expressar as suas emoções, os seus medos e angústias. Não havia alunos mal-educados naquelas aulas. Sempre tinha uma palavra amiga e de conforto e sabia ouvir os seus meninos com o coração aberto. Quantos jovens problemáticos não iam para a escola sem tomar o pequeno-almoço e quantos não eram vítimas de maus-tratos! Mas poucos eram os professores que tinham a sensibilidade para os ouvir. Era mais fácil rotulá-los e reprová-los...
Cantou na Gulbenkian. A sua voz de contralto ainda vibra na minha memória. Os anos passaram e eu ainda hoje consigo reconhecer a sua voz nalgumas das obras que tive a sorte de conseguir a gravação dos Arquivos da Gulbenkian. As lágrimas teimam em correr dos meus olhos quando, a seu lado, ouvimos algumas das obras que cantou como Solista e como fazendo parte do Coro.

Escrevia como uma poetisa... Retratava a alma feminina de uma forma tão sentida, sofrida ou apaixonada, que lhe valeu alguns prémios da Sociedade de Autores.

E, além de tudo isso, era meiga com os seus filhos. Terna e atenta, procurando dar-lhes toda a ternura que sentia. E era linda. Encantava todos com a sua beleza exótica e a força da sua personalidade. Quantos apaixonados ficaram pelo caminho... Alguns dele ainda hoje nos testemunham a sua beleza...

Desculpem-me por deixar o meu pensamento voar. Mas faz-me falta senti-la assim, mãe, minha, querida e completa, repleta de sonhos e de força.

Hoje, sinto-a tão pequenina. Abraço-a e sinto o meu peito gritar de angústia pela fragilidade que sinto nela. Parece-me uma menina, com medo, perdida , sem encontrar o seu caminho. As memórias vão-se perdendo e ela, de uma forma ou de outra, vai tendo a percepção dessa perda. E dá-me a sua mão, numa necessidade intima de sentir segurança e um porto seguro. E pede-me para me deitar a seu lado para dormir mais serena e descansada. E faço-lhe festas no rosto, com lágrimas salgadas no meu, na escuridão do quarto, embalando-a como se embala um filho grande que tem medo de estar sozinho.

É tão difícil, meu Deus, sentir as sua memórias esbaterem-se e ouvi-la dizer baixinho "Tenho medo!". E ao mesmo tempo é tão belo sentir a sua mão acarinhar-me o rosto nos nossos momentos, em que juntas nos embalamos uma à outra.

Desabafos.

Encontro-me na sala de enfermagem enquanto ela está a ser operada. Caiu e fez fractura de fémur. Perdoem-me estas palavras, mas precisava de falar, deixar o pensamento voar para lá do tempo e do real.

Só peço a Deus força para estar sempre a seu lado e para a ajudar a encontrar um sentido para a sua vida, mão na mão e olhos sempre fixando o futuro. (Teresa Noronha Feio)
http://alzheimerportugal.org/

sábado, 22 de março de 2014

MELHOR IDADE

Mensagem para Idosos - 01 de outubro - Dia do Idoso

A VELHICE EXISTE


FASES DOS CUIDADOS E CUIDADORES

Quantas famílias são surpreendidas pela notícia que seus familiares estão se esquecendo de fatos recentes: contas a pagar, horários dos compromissos e ainda  desordem de comportamento em constante distúrbio: ansiedade, agressões verbais e/ou físicas, desequilíbrio nas funções mais simples: cozinhar, lavar , perdas cognitivas em geral incluindo o empobrecimento da linguagem englobando as Atividades que antes eram da rotina normal .


A dúvida, o diagnóstico : a dor.
Tristeza  e choro, ás vezes mesmo sentimento de culpa, turbulência dos familiares e fatalmente vem o desequilíbrio doméstico, a cobrança, os desentendimentos, o pavor. Lidar com algo novo  como uma doença demencial é difícil, é ás vezes impossível.

Aprendemos a sermos cuidados ou apenas a cuidar de nossos filhos e maridos e restringimos a vida em torno de nós mesmos. Diante da possibilidade de acolhermos um familiar, que já fora cuidado por outros e que cuidou de nós, assustamos com a realidade da incapacidade notória do nosso familiar e passamos a responsabilidade de  termos de cuidarmos de um pai, avó, tio, tia, mãe . Nosso mundo tão preservado, inclina-se.

A doença de Alzheimer, tão misteriosa na causa, à qual á ciência desconhece, recai em algum familiar e isto tudo nos faz despencar diante da pergunta: 
Quem cuida? Quem ajuda?

A problemática chamada Alzheimer vem de encontro de nós, tão célere e urgente que o desajuste nos atinge em cheio.

Passado o susto, os familiares: irmãos, parentes se afastam e sem ter a doença se "esquecem" literalmente do paciente. Começam a diminuir os telefonemas, as visitas passam a ser mais reduzidas, os parentes mais distantes são os primeiros geralmente a desaparecer, muitas vezes  nem ao menos  se preocupavam antes.

De repente aparece a nossa figura: O cuidador, aquele mais próximo muitas vezes uma filha outras raras um filho, uma nora .

O problemático Alzheimer está apenas começando, vem a tona a lembrança anterior do relacionamento do parente agora “paciente”, alguns falam em mãe que não foi plenamente uma mãe, outros falam de um pai que ás vezes não foi tão excelente ou de avó ou tio que não foram exemplares e assim tentamos sutilmente nos confundir e nos julgarmos como “vítimas”, talvez até como a reagir preventivamente, somos humanos.

Fase difícil, mas a primeira de uma série. O que fazer? Muitas vezes não temos espaço físico para nós próprios, como fazer? Onde? Como? Quando?

Aí passamos também a fase do quem cuida de quem?
Está fase tentamos resolver logo, pois aí ficamos experts: Asilo? Casa de repouso? Outra irmã ou irmão? Amigo dividindo as funções, vizinho, filhos?

É também uma fase difícil, vem a tona o remorso, as culpas, a encrenca literal, as interrogações???? Refletimos na possibilidade de acompanhantes de idosos e pensamos: será que este ou estes novos profissionais cuidarão bem???

Resolvido: Transferimos o problema Alzheimer para uma instituição ou a casa de um parente próximo. A opção é atitude individual, intransferível e dotado de livre arbítrio e não merece antecipação de tutela ou julgamento no mérito pois cada caso é uno e individual, sabemos do nosso apego e sofrimento em qualquer decisão.

No segundo caso, na casa de um parente próximo, aí começa o trampolim do desajuste que fazemos ao nos tornarmos cobradores dos atos dos outros e os outros dos nossos atos e se cuidarmos nós mesmo, a cobrança vem, sem dúvida em nossa direção.

Legalmente quem cuida é quem é dotado de plenos poderes para conduzir o paciente de acordo com suas necessidades e cuidados. Mas muitos parentes sabedores disto tudo, conserva a ironia de discutir e vigiar os passos do cuidador responsável, com visitas não agendadas, telefonemas e acaba metaforicamente metendo o pé pela cabeça.

A fase psíquica e física de sentir-se exausta é muito sentida ante a missão do cuidar e é muitas vezes aconselhável por médicos o acompanhamento psicológico, os exercícios físicos, o cultivo de outras atividades como caminhada, leitura, crochê, e outras variedades de atividades que podem ser prazerosas. O ficar sozinho com esta responsabilidade sem ajuda de ninguém é ficar sempre no vermelho , são sobrecargas ostensiva, gerando sentimentos de insegurança.

Temos hoje muito mais informações sobre a doença em relação a década passada, a doença é antiga com 100 anos de idade, porém muitos ainda a confundem com caduquice e esclerose[coisas da idade]

O apoio fraterno ao cuidador é de extrema importância, as comunidades no Orkut, as Abraz de todo o país buscam dar este  apoio e acompanhamento com reuniões, cursos  e trocas de idéias.

Não é seguramente fácil para ninguém este encargo, começo até previsível de depressão, pois os cuidados pessoais são sempre sobre humanos, aprendemos no decorrer deste processo o AMAR, O DESCOBRIMENTO DE OUTROS CUIDADORES QUE PASSAM PELO MESMO MOMENTO, AS AMIZADES, A FRATERNIDADE.

A FÉ

O apoio da Divindade, crer em Deus que tudo vê e tudo sabe vislumbrando o desafio da fé e a crença que fazemos hoje o melhor dentro de nossas aceitação respeitando nossas próprias limitações , a conscientização de que nada é por acaso, assim como a lei da física toda reação tem uma ação, tentarmos nos perdoar  nas falhas e abolindo a culpa,.em todas as etapas da descoberta do DA em nossos familiares, e em todas as fases existe algo que não podemos desprezar a auto confiança.

A informação sobre a doença é um  conteúdo  necessários ao nosso aprendizado é irrefutável, e além disto sempre querer saber mais, estimular o nosso raciocínio , nos dotarmos de conhecimento sobre diversas áreas de pesquisa, diversos seguimentos médicos, os recursos e o estudo.

Acreditamos que jovens estudantes de curso superior estão também acompanhando o Cuidador com o olhar de aprender, nas diversas áreas da saúde, tanto para seu conhecimento como para sua especialização no seguimento na área do Envelhecimento.

Cada dia novos casos de Alzheimer se multiplicando e cada vez atingindo pessoas de diversas faixas etárias.


Nós os cuidadores aprendendo o cuidar, mobilizando esforços para aprender, para se cuidar, para se amar e principalmente tentando o perdão, que muitas vezes algo tão mal resolvido no passado dilacera em nosso âmago mais profundo, este processo da missão de ser responsável pelo nosso familiar querido com uma tarefa antes desconhecida nos proporciona um largo aprendizado e uma constante energia renovadora na esperança que Deus está conosco, participando ativamente através dos mensageiros amigos da espiritualidade ligado a nós para fortalecer nosso íntimo, vibrar em nossos acertos e não nos fazermos desistir de cuidar de um doente que antes fora nosso ponto de apoio, nossos amores que nos aquietou a alma  nos momentos difíceis e nos protegeu na aurora do nascimento, acolhendo-nos em carícias e afagos.
http://alzheimernafamilia.blogspot.com.br

sexta-feira, 21 de março de 2014

MAL DE ALZHEIMER - UMA CARTA DE DESPEDIDA DA MEMÓRIA


Antes queria me despedir de vocês,porque depois não  lembrarei que queria me despedir.
Queria dizer que amo,mas logo não vou mais saber amar.
Mas continuem me amando,porque só o amor vai me fazer sentir viva.
O amor vai estar lá no fundo da minha memória.
Não me lembro...esta frase começa assim e termina com...me esqueci.
Queria ter lembranças,mas as lembranças não me querem ter.
Minhas frases serão finalizadas com uma interrogação(?) e muitas vezes as suas respostas serão finalizadas com uma exclamação(!)
Quero ver você... mas quem é você?
Não fala assim comigo... O que você falou mesmo?
Você me fêz chorar...Quem me fêz chorar?
Ah!Que saudade...mas de quem?Não me lembro de ninguém.
Quero ir...mas  aonde?
Vou fugir...mas pra onde?
Ah...Não me deixa esquecer...de viver!
E nada me fará esquecer de Jesus! 
Vamos amar mais!
(Escrito por Iorlâny Melo - Uma reflexão-Mal de Alzheimer)

VIVER COM ALZHEIMER