domingo, 14 de maio de 2017

Mae

"Mãe gera com o corpo,
Nutre e cuida com o coração.
Mãe é amiga em hora boa,
Protetora permanente,
Preocupação constante.

Mãe sabe pintar sorrisos,
Enxugar lágrimas.
Mãe é colo de infinita capacidade,
Peito de inabalável paciência,
Sorriso e lágrima de empatia e carinho.

Mãe é expressão criativa da natureza,
E na essência transporta
o que há de mais divino.
Mãe é vida, é sustento do mundo,
Pois no ventre carrega a mágica da criação.
Mãe é amor incondicional,
Que vive eterno e profundo
no seu enorme coração".
(https://www.mundodasmensagens.com/ )

quarta-feira, 19 de abril de 2017

REFLEXÃO SOBRE O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA PÁSCOA

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, orar e meditar para poder contemplar

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, orar e meditar para poder contemplar (Frei Betto).

Uma das características da pós-modernidade é a redução da cultura a mero entretenimento e a exacerbação dos sentidos em detrimento da razão e do espírito. Para estimular o consumismo, utilizam-se como isca recursos capazes de nos fazer sentir mais e pensar menos. Isso vale para a publicidade, certos programas televisivos e até rituais religiosos.

Dissemina-se uma cultura centrada no epidérmico, na qual há mais estética que ética, nádegas que cabeças, urros que melodias, ambições que princípios, devaneios que utopias. Tudo é aqui e agora, a ser devorado por olhos e ouvidos, o corpo entregue a um frenesi de sensações que faz do prazer e do sexo simulacros da felicidade e do amor.

Seres relacionais e racionais, como acentuam os filósofos desde Sócrates, somos agora reduzidos a seres extrofiados, revirados para fora, estranhos a nós próprios, como lamentava Kierkegaard, pois nossa autoestima passa a depender do que vem de fora – da gula e da antropofagia visual aos arremedos de fama, fortuna e poder.

Páscoa significa travessia, passagem. Talvez uma das mais difíceis é a que nos faz percorrer o caminho entre a epiderme e a vida interior, não para dualizar polaridades, mas para resgatar a unidade. O budismo tibetano tem razão ao afirmar que, malgrado todo avanço científico e tecnológico, cada pessoa é ontologicamente a mesma desde que o símio tomou consciência de que o galho de árvore em sua mão poderia servir-lhe de arma de ataque e de defesa.

Aristóteles sintetizou-nos em esferas sensitiva, racional e espiritual, como unidade que exige equilíbrio. A exacerbação de uma resulta na atrofia das outras. Só a predominância do espiritual é capaz de imprimir sensatez “às loucas da casa”,como diria o poeta, evitando o sabor de náusea dos sentidos, descritos por Sartre, bem como o racionalismo que, ao contrário de Tomás de Aquino, julga equivocadamente que a razão é a suprema expressão da inteligência.

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. “Beber do próprio poço” sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, adequar a razão a seus limites, orar e meditar para poder contemplar.

Somos seres vocacionados à transcendência. Como dizia Hélio Pellegrino, uma samambaia desfruta de sua plenitude vegetal. Nós, não; escravos do desejo, temos buracos no corpo e na alma. É a “gula de Deus”, da qual falava Rimbaud.

Ao deixar de trilhar as veredas que conduzem ao Absoluto, corremos o risco de nos perder no acidentado terreno que cotidianiza o absurdo: iras e mágoas, inveja e competição, medo e, sobretudo, uma incômoda sensação de não saber exatamente o que fazer desse breve período de existência.

A Páscoa é precedida de morte que, emblematicamente, a tradição cristã qualifica de paixão, um ato de amor, de entrega, que faz refluir tudo aquilo que dispersa, aliena e ilude. Jesus no túmulo simboliza o silêncio, a volta ao mais íntimo de si mesmo, abraçar a solidão sem se sentir solitário. Ressuscitar, renascer na ousadia de assumir valores altruístas e empenhar-se para que a justiça seja o fundamento da paz.

Tudo que existe preexiste, subsiste e coexiste. É Universo, e não pluriverso. Comunhão e luz. Não é em vão que os orientais chamam o centro energético do nosso ser, lá onde se situa o coração, de plexo solar. O silêncio das galáxias no infinito é um convite para que se saiba fechar os olhos para ver melhor. E descobrir, no âmago de si, a presença amorosa de Deus, que impregna o lado avesso da pele e anseia fluir por todo o corpo, palavras e atos, de modo a fazer de nós seres vitalmente pascais, cuja existência coincida com a sua essência. (Fonte: Folha de São Paulo)
  http://www.50emais.com.br/

terça-feira, 4 de abril de 2017

VERDADEIRA ORIGEM DO ALZHEIMER

Pesquisadores italianos acham verdadeira origem do Alzheimer. Doença não surge na área do hipocampo, como se acreditava.Pesquisadores italianos descobriram a verdadeira origem do Mal de Alzheimer. Diferentemente do que se acreditava até então, a doença não surge na área do cérebro associada à memória, mas sim da morte de neurônios da região vinculada às mudanças de humor.

Coordenado pelo professor associado de Fisiologia Humana e Neurofisiologia da Universidade Campus Bio-Médico de Roma, Marcello D'Amelio, o estudo, que revoluciona a maneira como entendemos e tratamos a patologia, foi publicada na revista científica Nature Communications
Até agora, o Alzheimer era considerado uma doença que surgia devido à degeneração das células do hipocampo, área cerebral da qual dependem os mecanismos da memória. O novo estudo, conduzido em colaboração com a Fundação IRCCS Santa Lucia e do CNR de Roma, no entanto, aponta que a doença surge na área tegmental ventral, onde é produzida a dopamina, neurotransmissor vinculado às mudanças de humor. 
Segundo os pesquisadores, como um efeito dominó, a morte dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina desacelera a chegada desta substância ao hipocampo, causando assim uma falha que gera a perda das lembranças, principal sintoma da doença. 

A hipótese foi confirmada em laboratório, onde várias terapias destinadas a restaurar os níveis de dopamina foram administradas em animais. Nos testes, foi observado que tanto as memórias quanto a motivação de viver, cuja falta causa depressão, foram recuperadas.

"A área tegmental ventral relança a dopamina também na área que controla a gratificação. Na qual, com a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, também aumenta o risco de perda de iniciativa", explicou D'Amelio. 
Isso explica porque o Alzheimer é acompanhado, grande parte das vezes, pelo desânimo e pela depressão. Contudo, os estudiosos ressaltam que as mudanças de humor associados ao Alzheimer não são uma consequência do surgimento da doença, mas sim um "alarme" sobre o início da patologia. "Perda de memória e depressão são duas faces da mesma moeda", concluiu o italiano.
ANSA.
(http://eexponews.com/)

sexta-feira, 10 de março de 2017

DENTRO DE UM ABRAÇO




O melhor lugar no mundo
É dentro de um abraço
Pro mais velho ou pro mais novo
Pra alguém apaixonado, alguém medroso


O melhor lugar no mundo
É dentro de um abraço
Pro solitário ou pro carente, é
Dentro de uma abraço é sempre quente


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra


No silencio que se faz
O amor diz compromisso
Baby, baby dentro de um abraço
Tudo mais já está dito


O melhor lugar no mundo, é aqui
É dentro de um abraço

Por aqui não mais se ouve o tic tac dos relógios
E se faltar a luz fica tudo ainda melhor
O rosto contra o peito, dois corpos em um amasso
Dois corações batendo juntos em descompasso


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço se encontra


Na chegada ou na partida
Manhã de sol ou noite fria
Na tristeza ou na alegria


Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Manhã de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço se encontra


Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Manhã de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço se encontra.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

O PASSADO ESFARINHADO

 

 " Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo" 
(George Santavana)

" A nossa duração não é apenas um instante a seguir ao outro; se fosse, nunca haveria mais nada além do presente - nenhum prolongamento do passado na atualidade, nenhuma evolução, nenhuma duração concreta. A duração é o progresso contínuo do passado que morde o futuro e vai inchando à medida que avança. E, como o passado cresce sem parar, não há nenhum limite à sua preservação".

As palavras acima foram proferidas pelo filósofo e  prêmio Nobel de 1927, Henri Bergson. Dentro do conceito de duração o passado coexiste com o presente. O tempo vivido não se confunde com o tempo cronometrado dos relógios, sequer tem ele a mesma regularidade. Podemos, inclusive, tecer distintos tempos: o tempo da natureza e o tempo da alma. O último é, por excelência, um tempo subjetivo. 

Por isto inclino a pensar no que escreve o também filósofo e escritor André Comte-Sponville:

 " é por isso que há um tempo para a espera e outro para a saudade, um tempo para a angústia e outro para a nostalgia, um tempo para o sofrimento e outro para o prazer, um tempo para a paixão e outro para a união, um tempo para ação ou para o trabalho, outro ou vários, para o descanso".

Objetivamente poder-se-á dizer que o passado é a parte do tempo que se refere ao período anterior ao tempo presente. Objetivamente o tempo pertence a todos. Já subjetivamente, podemos dizer que o passado é o tempo que não passa. O tempo subjetivo é, portanto, o tempo da intimidade que pertence a cada sujeito, que embora conviva com outros sujeitos o tempo subjetivo de cada um é não compartilhável enquanto temporalidade psíquica e pessoal. 

Humanamente o passado está intrinsecamente relacionado  à memória. E porque temos memória, assim como percebemos o caminhar dos dias e sonhamos com o amanhã, é que o ser humano é um ser absolutamente mergulhado na temporalidade. Passado e memória, um não existiria subjetivamente sem o outro, pois ambos estão entrelaçados e ambos são indissociáveis.

O passado não passa porque temos memória. O passado não passa porque o presente é consequencial. Nosso passado de hoje - que já foi o presente de ontem - foi como aquela pedrinha lançada em um lago cujo impacto gerou ondulações circulares que se propagaram pela superfície. Sim, nossas vidas são um grande e enorme lago existencial. 

O presente de ontem movimenta o presente de hoje, assim como o presente de hoje move o presente do porvir. O passado está, pois, embutido no presente, afinal o presente de agora foi construido de vários e incontáveis instantes que no instante imediato são passados. Inexiste presente sem passado. 

Nisto reside, por exemplo, a força destes versos do notável poeta americano, T.S.Eliot, retirado do poema East Coker:

" Em meu princípio está meu fim. Umas após as outras 
As casas se levantam e tombam, desmoronam, são ampliadas,
Removidas, destruídas, restauradas, ou em seu ligar
Irrompe um campo aberto, uma usina, um atalho.
Velhas pedras para novas construções, velhos lenhos para novas chamas,
Velhas  chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre a terra semeadas,
Terra agora feita carne, pele e fezes,
Ossos de homens e bestas, trigais e folhas.
As casas vivem e morrem: há um tempo para construir
E um tempo para viver e conceber.
E um tempo para o vento estilhaçar as trêmulas vidraças
E sacudir o lambril onde vagueia o rato silvestre
E sacudir as tapeçarias em farrapos tecidas com a silente legenda"

     

Há passados que se tornam lembranças. Há passados que se esquecem. Há passados que cicatrizam o corpo e a alma. Há passados que não se superam e que ficam como se fossem eternos. Lembranças, cicatrizes e esquecimentos, corpo e alma, fazem parte do baú de quem somos. Relembrando ou não somos sempre feitos com barros de outrora. 

Assim é criada e feita a nossa história, e não há pessoa, personalidade ou identidade sem história. Todavia, o que nos importa é o passado que não vira memória, que por não ter sido digerido permanece vivo e incomodamente no atual. É um passado que não se transformou ainda em passado.

Passado, como palavra, vem do latim "passus" (passo). Daí a ideia da existência como um caminhar, passo a passo, até o "praesens" (presente). "Praesens", por sua vez, como termo também latino se origina de "praeesse", que significa estar à frente, estar à mão. Porém, quando o passado vira um "passus aetermus", o que está a nossa frente é o nosso atrás.

Somos feitos de aniversários. Mas os anos dentro de nós não se acumulam sobrepostamente, porém se misturam, amalgamam-se  e se  embolam em uma massa ajuntada e disforme que chamamos de mente. Em qualquer tempo, em qualquer hora, em qualquer momento, o passado nos influencia, mas é no presente que ele toma forma e se referencia. O presente não é uma fronteira que se separa o fim e o início de dois tempos, como se fatiássemos o bolo dos nossos dias. O bolo somente apaga quando se apaga a vela do último instante da vida.

Há passado que vai... há passado que fica. Assim como há passado que se lembre e há passado que se dói. Seja lá como for, o que seria do passado se não houvesse o presente? 

Ou como poetiza Fernando Pessoa:  

" Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia".

(http://literalmente-literalmente.blogspot.com.br)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CRÔNICA DE UMA FILHA QUE PERDEU A MÃE PARA O ALZHEIMER

Virar mãe de nossas mães talvez seja uma das experiências mais dolorosas da vida. Nada, mas nada mesmo, nos prepara pra isso. Passar a ser a protetora de quem nos protegia, assumir a tutela de quem nos amparava: é todo um script que tem de ser refeito, todo um roteiro a ser recriado. Eu acompanhei a perda gradual de lucidez da minha. São dores diferentes, mas vividas com a mesma intensidade. E quantas mulheres passam por essa orfandade precoce, esse ensaio da perda, ou essa morte antes da morte, quando tudo em nós diz que ainda somos filhas.

Nunca vou me esquecer de uma tarde em que eu estava lendo no quarto da minha mãe e ela pediu que buscasse um café na cozinha. Quando voltei com a xícara de café, ela estava chorando, aquele choro que faz sacudir o corpo todo, e começou a me perguntar repetidamente onde é que a gente estava, que lugar era aquele que ela não conhecia, e me pedia, com uma tristeza tão profunda que parecia uma dor física: “Me leva para a minha casa, minha filha… Me tira daqui…”. Eu explicava que ali era a casa dela, mas não adiantava.

Aí, tentei dizer que mais tarde eu levaria, mas, com a tristeza cortante na voz, ela voltava a pedir: “Me leva agora…Eu não agüento mais ficar aqui”. Ela queria uma casa que já não existia. Eu queria a mãe que já não havia. E ficamos ali chorando,as duas, desconcertadas e impotentes diante do que não fazia sentido, ensaiando palavras que não diziam nada e depois nos encontrando no silêncio.

O nosso cotidiano: pentear seus cabelos, convencê-la a trocar o vestido com manchas de café, lembrar a hora de tomar o remédio, lembrá-la de sentir sede, lembrar o aniversário dos filhos e o próprio aniversário, lembrar, lembrar… E eu me obrigava a esquecer que ainda precisava tanto dela, que suas palavras, sempre precisas e justas, tinham deixado de pontuar minha vida e que sem elas eu me via sem mapa e sem rumo.

Ah, que falta ela já me fazia então e que falta que ela me faz hoje… Não consegui desaprender o papel de filha a tempo e hoje tenho saudades de ser, a um só tempo, sua filha e sua mãe. Já peguei o telefone tantas vezes para falar com ela depois que ela se foi. Já entrei numa loja de aeroporto para comprar um presente para ela e saí atordoada quando me lembrei que já não haveria presentes. Penso em contar tantas coisas para ela, penso em fazer uma mágica qualquer e dar a ela a neta (minha filha) que ela não teve. Seria tão bom estarmos as três juntas… Esta mãe que eu amava tanto e esta filha que não houve, mas que eu sei que amaria mais que tudo… conversando, rindo, tomando café, falando de alegrias, de perdas, de amores…Porque a gente falava de tudo. A gente sentia, ria e chorava juntas. E com a minha filha também seria assim.

As perdas nos deixam sem ar, sem ter onde pisar – e dói o mesmo tanto perder o que tivemos e o que nunca chegamos a ter. Uma perda nos arranca o passado. A outra nos rouba o que viria. Resta o presente, claro, e é nele que temos que viver. Aproveitar o momento.

Continue sonhando desavergonhadamente com o amor. Há sonhos que são delírios. Este não. Você ainda vai encontrar mãos que passearão sem pressa por suas tatuagens, segurar amorosamente as mãos do seu filho e envelhecer juntinho das suas.

Eu vou continuar sonhando com a leveza que vem da ausência do medo. Nossas mães estão nos olhando, de onde estiverem. Voltaram a ser mães, tenho certeza, e vão nos ajudar a encontrar o caminho.
Trecho do livro “Que ninguém nos ouça”, de Leila Ferreira e Chris Guerra, Editora Planeta