segunda-feira, 17 de julho de 2017

ALZHEIMER: A DOR DO ESQUECIMENTO


                 Poema dedicado a minha mãe

Lembro-me perfeitamente dos tempos de infância
De correr pelas campinas, apartar as vacas
Brincar com meus irmãos, ir aos bailes para namorar
O tempo passado me é o mais presente
Esse presente que são apenas borrões
Sei que fico agressiva, irritada
Repito as mesmas perguntas o tempo todo
Os que estão a minha volta também se irritam
Não sei o que acontece comigo

Esforço-me para lembrar, mas não consigo
Percebo minha fala estranha
Não consigo formular frases, nem as mais banais
Por isso acho melhor ficar calada
Esqueço o chuveiro ligado, mas nem sabia
Que tinha ido ao banheiro

Alguns rostos à minha frente não consigo distinguir
Acho que são meus, mas não me lembro
Dizem que são meus filhos, meu marido
Mas eu não os acho na minha memória
São estranhos que brigam comigo
Meu andar já não é tão fácil como nos tempos de juventude
Será que caí e me machuquei?
Não me lembro

Vejo os dias nascerem e partirem
E vou criando um mundo só meu
Pareço uma estranha diante de tantos estranhos
Só queria que não brigassem comigo
Fico sozinha querendo entender  as coisas
E me disperso com tanta facilidade
Será que estou doente e não me dizem nada

Ontem tentei comer um pãozinho sozinha
Mas as minhas mãos me traíram
Agora elas tremem e evito segurar as coisas
Porque esses estranhos brigam comigo
Passo horas olhando o céu, existe alguém lá
Mas não consigo me lembrar

Hoje eu ganhei um abraço, fiquei tão feliz
Mas não sei quem é a moça
Ela diz que é minha filha
Mas eu não sei se tenho filhos
Fiquei com pena dela, coitada
Ela acha que eu sou a mãe

Vejo-me tão enrugada, acho que estou velha
Mas nem sei que idade tenho
Será que já cheguei aos quarenta?
Perguntei  isso outro dia e um rapaz
Que eu nem conheço me chamou de vó
Achei tão estranho...
( http://daalmaparaaescrita.blogspot.com.br/)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

PACIENTE COM ALZHEIMER PRECISA MANTER VÍNCULOS AFETIVOS


Eles podem esquecer rapidamente… Mas uma visita a um paciente com Alzheimer vai deixá-lo com um sentimento permanente de felicidade. Esta é a descoberta de um estudo realizado por Justin Feinstein, da Universidade de Iowa, publicado na Proceedings Of The National Academy Of Sciences, que pode ter implicações importantes para pessoas com a doença de Alzheimer e seus familiares.

Segundo o autor do estudo, muitas vezes, os membros da família e os amigos mais próximos se perguntam se vale a pena fazer uma visita ou um telefonema para uma pessoa próxima com demência, pois o teor da conversa é esquecido rapidamente. O que Feinstein descobriu é que a lembrança da visita é apagada da mente, mas os sentimentos “bons e quentes” provocados pela visita fazem o portador de Alzheimer sentir que vale a pena viver.

Para chegar a tal conclusão, Feinstein e sua equipe estudaram as reações de cinco pacientes neurológicos com danos no hipocampo, uma parte do cérebro crítica para a transferência de memórias de curto prazo para longo prazo.  Danos no hipocampo provocam um tipo de amnésia que é frequentemente um sinal inicial de Alzheimer e pode ser também resultado de um acidente vascular cerebral ou de epilepsia.

Os pacientes foram expostos a clipes de 20 minutos de filmes, intensamente emocionais: alguns felizes, outros tristes. Ao assistirem às cenas, os pacientes demonstraram emoções apropriadas e condizentes com o que estavam vendo, assim, ora havia risos, ora lágrimas. Embora os participantes do estudo logo tivessem esquecido o que tinham visto, as perguntas sobre seus sentimentos revelaram que as emoções provocadas pelos clipes ficaram retidas por muito mais tempo.

Segundo Justin Feinstein, muitas vezes, a negligência afetiva do cuidador e dos familiares pode deixar o paciente triste, frustrado e solitário, mesmo que ele não saiba exatamente o  porquê.  “A pesquisa é uma prova clara de que as razões para tratar os pacientes com Alzheimer com respeito e dignidade vão além da simples moral humana”, afirma o neurologista, Willian Rezende do Carmo, CRM-SP 160.140.

Afetividade faz parte do tratamento
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que as interações sociais regulares reduzem o risco de desenvolvimento de demência. “Esta nova pesquisa sugere que é preciso começar a definir um novo padrão de cuidados para pacientes com distúrbios de memória. O estudo confirma uma observação da nossa prática clínica: indivíduos com demência que vivem em ambientes tranquilos tendem a ter comportamentos menos inadequados e agressivos”, defende o médico.

O neurologista reforça que, embora, muitas vezes, o doente com Alzheimer não reconheça quem o visita, o contato humano é muito importante para ele. “No entanto, como em qualquer tipo de demência, os doentes com Alzheimer apresentam alterações comportamentais, principalmente na interação com outras pessoas. Portanto, é muito importante se preparar para visitar o familiar ou o amigo com Alzheimer, buscando saber mais sobre a doença e informando-se sobre que atitudes tomar durante a visita”, aconselha Willian do Carmo.

A seguir, o neurologista enumera algumas dicas úteis na preparação de uma visita ao doente com Alzheimer. As dicas foram retiradas do  Blog Familiares e Cuidadores de Doentes de Alzheimer, mantido por Alunos de Mestrado em Biomedicina Molecular da Universidade de Aveiro, Portugal:
  • Um aspecto importante é informar-se junto aos familiares e/ou cuidadores  qual o melhor momento do dia para fazer a visita;
  • O modo como você fala com o doente com Alzheimer e a linguagem corporal também são essenciais. Durante a visita, você deve manter-se calmo, evitando elevar o tom de voz, falando lentamente e de forma clara. Se o doente aparentar não compreender bem o que você diz, ao invés de repetir, diga o mesmo, mas com palavras diferentes e frases mais curtas;
  • Evite fazer perguntas ou então faça as que podem ser respondidas com “sim” ou “não”. Se o doente ficar frustrado por não conseguir responder, não insista;
  • Fale normalmente com o doente e nunca como se ele fosse uma criança. Estabeleça contato visual com o doente e chame-o pelo nome, quando quiser chamar a sua atenção;
  • É essencial respeitar o espaço do doente, evitando chegar muito perto deste;
  • Se durante a visita, o doente parecer não o reconhecer, relembre-o quem você é, e, acima de tudo, nunca considere pessoal o fato do doente não o reconhecer, ser indelicado e até mesmo responder com raiva;
  • Não discuta com o doente caso ele se mostre muito confuso. Em vez disso, tente distraí-lo, conduzindo a conversa para outros temas;
  • Tente não usar frases como  “Você se lembra de…”. Ao invés disso, leve consigo objetos – como, por exemplo, fotografias – que possam suscitar memórias no doente e sobre os quais vocês possam falar;
  • Não se preocupe se a conversa com o doente não fizer muito sentido, nem corresponder à verdade;
  • Se o doente começar a ficar muito agitado, despeça-se e termine a visita. Por vezes, estes doentes não toleram mais do que 15 a 20 minutos de visita.
( https://www.willianrezende.com.br/paciente-com-alzheimer-precisa-manter-vinculos-afetivos/)

domingo, 14 de maio de 2017

Mae

"Mãe gera com o corpo,
Nutre e cuida com o coração.
Mãe é amiga em hora boa,
Protetora permanente,
Preocupação constante.

Mãe sabe pintar sorrisos,
Enxugar lágrimas.
Mãe é colo de infinita capacidade,
Peito de inabalável paciência,
Sorriso e lágrima de empatia e carinho.

Mãe é expressão criativa da natureza,
E na essência transporta
o que há de mais divino.
Mãe é vida, é sustento do mundo,
Pois no ventre carrega a mágica da criação.
Mãe é amor incondicional,
Que vive eterno e profundo
no seu enorme coração".
(https://www.mundodasmensagens.com/ )

quarta-feira, 19 de abril de 2017

REFLEXÃO SOBRE O VERDADEIRO SIGNIFICADO DA PÁSCOA

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, orar e meditar para poder contemplar

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, orar e meditar para poder contemplar (Frei Betto).

Uma das características da pós-modernidade é a redução da cultura a mero entretenimento e a exacerbação dos sentidos em detrimento da razão e do espírito. Para estimular o consumismo, utilizam-se como isca recursos capazes de nos fazer sentir mais e pensar menos. Isso vale para a publicidade, certos programas televisivos e até rituais religiosos.

Dissemina-se uma cultura centrada no epidérmico, na qual há mais estética que ética, nádegas que cabeças, urros que melodias, ambições que princípios, devaneios que utopias. Tudo é aqui e agora, a ser devorado por olhos e ouvidos, o corpo entregue a um frenesi de sensações que faz do prazer e do sexo simulacros da felicidade e do amor.

Seres relacionais e racionais, como acentuam os filósofos desde Sócrates, somos agora reduzidos a seres extrofiados, revirados para fora, estranhos a nós próprios, como lamentava Kierkegaard, pois nossa autoestima passa a depender do que vem de fora – da gula e da antropofagia visual aos arremedos de fama, fortuna e poder.

Páscoa significa travessia, passagem. Talvez uma das mais difíceis é a que nos faz percorrer o caminho entre a epiderme e a vida interior, não para dualizar polaridades, mas para resgatar a unidade. O budismo tibetano tem razão ao afirmar que, malgrado todo avanço científico e tecnológico, cada pessoa é ontologicamente a mesma desde que o símio tomou consciência de que o galho de árvore em sua mão poderia servir-lhe de arma de ataque e de defesa.

Aristóteles sintetizou-nos em esferas sensitiva, racional e espiritual, como unidade que exige equilíbrio. A exacerbação de uma resulta na atrofia das outras. Só a predominância do espiritual é capaz de imprimir sensatez “às loucas da casa”,como diria o poeta, evitando o sabor de náusea dos sentidos, descritos por Sartre, bem como o racionalismo que, ao contrário de Tomás de Aquino, julga equivocadamente que a razão é a suprema expressão da inteligência.

Fazer Páscoa em si mesmo é cultivar a subjetividade. “Beber do próprio poço” sugerem os místicos. Desnudar-se de ilusões egocêntricas, jejuar os sentidos, adequar a razão a seus limites, orar e meditar para poder contemplar.

Somos seres vocacionados à transcendência. Como dizia Hélio Pellegrino, uma samambaia desfruta de sua plenitude vegetal. Nós, não; escravos do desejo, temos buracos no corpo e na alma. É a “gula de Deus”, da qual falava Rimbaud.

Ao deixar de trilhar as veredas que conduzem ao Absoluto, corremos o risco de nos perder no acidentado terreno que cotidianiza o absurdo: iras e mágoas, inveja e competição, medo e, sobretudo, uma incômoda sensação de não saber exatamente o que fazer desse breve período de existência.

A Páscoa é precedida de morte que, emblematicamente, a tradição cristã qualifica de paixão, um ato de amor, de entrega, que faz refluir tudo aquilo que dispersa, aliena e ilude. Jesus no túmulo simboliza o silêncio, a volta ao mais íntimo de si mesmo, abraçar a solidão sem se sentir solitário. Ressuscitar, renascer na ousadia de assumir valores altruístas e empenhar-se para que a justiça seja o fundamento da paz.

Tudo que existe preexiste, subsiste e coexiste. É Universo, e não pluriverso. Comunhão e luz. Não é em vão que os orientais chamam o centro energético do nosso ser, lá onde se situa o coração, de plexo solar. O silêncio das galáxias no infinito é um convite para que se saiba fechar os olhos para ver melhor. E descobrir, no âmago de si, a presença amorosa de Deus, que impregna o lado avesso da pele e anseia fluir por todo o corpo, palavras e atos, de modo a fazer de nós seres vitalmente pascais, cuja existência coincida com a sua essência. (Fonte: Folha de São Paulo)
  http://www.50emais.com.br/

terça-feira, 4 de abril de 2017

VERDADEIRA ORIGEM DO ALZHEIMER

Pesquisadores italianos acham verdadeira origem do Alzheimer. Doença não surge na área do hipocampo, como se acreditava.Pesquisadores italianos descobriram a verdadeira origem do Mal de Alzheimer. Diferentemente do que se acreditava até então, a doença não surge na área do cérebro associada à memória, mas sim da morte de neurônios da região vinculada às mudanças de humor.

Coordenado pelo professor associado de Fisiologia Humana e Neurofisiologia da Universidade Campus Bio-Médico de Roma, Marcello D'Amelio, o estudo, que revoluciona a maneira como entendemos e tratamos a patologia, foi publicada na revista científica Nature Communications
Até agora, o Alzheimer era considerado uma doença que surgia devido à degeneração das células do hipocampo, área cerebral da qual dependem os mecanismos da memória. O novo estudo, conduzido em colaboração com a Fundação IRCCS Santa Lucia e do CNR de Roma, no entanto, aponta que a doença surge na área tegmental ventral, onde é produzida a dopamina, neurotransmissor vinculado às mudanças de humor. 
Segundo os pesquisadores, como um efeito dominó, a morte dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina desacelera a chegada desta substância ao hipocampo, causando assim uma falha que gera a perda das lembranças, principal sintoma da doença. 

A hipótese foi confirmada em laboratório, onde várias terapias destinadas a restaurar os níveis de dopamina foram administradas em animais. Nos testes, foi observado que tanto as memórias quanto a motivação de viver, cuja falta causa depressão, foram recuperadas.

"A área tegmental ventral relança a dopamina também na área que controla a gratificação. Na qual, com a degeneração dos neurônios dopaminérgicos, também aumenta o risco de perda de iniciativa", explicou D'Amelio. 
Isso explica porque o Alzheimer é acompanhado, grande parte das vezes, pelo desânimo e pela depressão. Contudo, os estudiosos ressaltam que as mudanças de humor associados ao Alzheimer não são uma consequência do surgimento da doença, mas sim um "alarme" sobre o início da patologia. "Perda de memória e depressão são duas faces da mesma moeda", concluiu o italiano.
ANSA.
(http://eexponews.com/)

sexta-feira, 10 de março de 2017

DENTRO DE UM ABRAÇO




O melhor lugar no mundo
É dentro de um abraço
Pro mais velho ou pro mais novo
Pra alguém apaixonado, alguém medroso


O melhor lugar no mundo
É dentro de um abraço
Pro solitário ou pro carente, é
Dentro de uma abraço é sempre quente


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra


No silencio que se faz
O amor diz compromisso
Baby, baby dentro de um abraço
Tudo mais já está dito


O melhor lugar no mundo, é aqui
É dentro de um abraço

Por aqui não mais se ouve o tic tac dos relógios
E se faltar a luz fica tudo ainda melhor
O rosto contra o peito, dois corpos em um amasso
Dois corações batendo juntos em descompasso


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço a gente encontra


Tudo que a gente sofre
Num abraço se dissolve
Tudo que se espera ou sonha
Num abraço se encontra


Na chegada ou na partida
Manhã de sol ou noite fria
Na tristeza ou na alegria


Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Manhã de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço se encontra


Tudo que a gente sofre
(Na chegada ou na partida)
Num abraço se dissolve
(Manhã de sol ou noite fria)
Tudo que se espera ou sonha
(Na tristeza ou na alegria)
Num abraço se encontra.